biosphera21

               voltar ao início

na natureza e no tempo (no mundo)
paisagens partilhadas+ensino
estudos das Escrituras
labirintos da alma
na espiral
sobre








   
você está na espiral:


menu espiral





Desenho: plano do jardim da
Espiral da Sensibilidade
e do Conhecimnento,
Euler Sandeville Jr., 2002.



AMADURECIMENTO RELACIONAL E INCOMPLETUDE NA CONSTRUÇÃO COLABORATIVA DE CONHECIMENTOS Euler Sandeville Jr.


aprender com a cidade, aprender na cidade


Adotamos metas visando qualidades na pesquisa, nos processos educativos e no desenvolvimento mais pleno dos pesquisadores e dos grupos de trabalho, bem como dos parceiros que se identifiquem com esses valores. Essas metas envolvem três áreas:

a) a das relações consigo mesmo, com a orientação e com os colegas no grupo;
b) a dos compromissos do pesquisador-educador com a função social da pesquisa e do ensino;
c) a dos objetivos e qualidades das relações que os pesquisadores-educadores estabelecem e dos compromissos em nossos trabalhos com as pessoas envolvidas.

Inicialmente, foram concebidos como uma cata ética para orientar o Núcleo de Estudos da Paisagem, concebida a partir dos valores da Espiral da Sensibilidade e do Conhecimento para orientar práticas acadêmicas do grupo, mas podem ser extrapolados ou servir de apoio e contribuição para um conjunto mais amplo de ações e reflexões, que é a motivação aqui. Esse conjunto de recomendações intenciona contribuir no direcionamento de focos e estratégias. Entendemos que isso complementa, na relação entre nós e com nossos parceiros e com as populações, compromissos a se ter em mente e que são afinados com os princípios da Espiral. Espera-se que contribuam e orientem nossas práticas, nossos objetivos e princípios fundantes.

A seguir apresento essas metas, que obviamente não se pretendem normativas, mas orientadoras. Não se deve confundir essas diretrizes com um procedimento normativo, pois não são. Estão abertas, e a sua transformação se verifica no amadurecimento cognitivo e emocional que ocorre no diálogo com os outros parceiros e grupos. Quando isso não ocorre, deparamo-nos com o desafio de um processo de compreensão de nossa incompletude, como dizia Paulo Freire, até que possamos reconhece-la como uma oportunidade, nem sempre fácil, de autoconhecimento e amadurecimento, se necessário, redirecionamento.

a) Propõe-se como objetivos críticos consigo mesmo na construção de conhecimentos e busca de soluções:

. aprender em cooperação com outros parceiros, eticamente motivados a partir de um crescimento pessoal e do aprendizado no diálogo e na escuta do outro;

. estabelecer uma investigação crítica das próprias percepções e valores na interação com outras paisagens e sensibilidades, na construção conjunta com outras pessoas e grupos;

. desenvolver as pesquisas e estudos com inquietação intelectual e rigor acadêmico, sabendo que os trabalhos que realizamos nos transcendem e implicam responsabilidade social, sem anular a nossa dimensão sensível e cooperativa;

. estabelecer processos experimentais de vivência, sensibilização e crítica individuais e coletivas, a partir dos canais possibilitados pela produção de conhecimento e por formas de associação cooperativa, a partir de programas de conhecimento-ensino-aprendizagem;

. desenvolver pesquisas, programas e ações vinculados a esta proposição, fundadas em uma base ética e com uma preocupação social ativa, que problematizem e contribuam para o avanço dos valores e do quadro referencial e metodológico de onde se parte, a partir do enfrentamento das problemáticas específicas de cada projeto;

. contribuir na organização e aprofundamento de grupos de estudo e dos seus processos críticos e criativos, de construção de referenciais teóricos e éticos, compreensão de processos históricos e socioambientais contemporâneos, busca de solução de problemas.

b) Propõe-se como objetivos na relação pesquisador-educador-universidade/instituições-sociedade:

. confrontar o ambiente acadêmico com formas de valoração e organização externas a esse ambiente, esperando gerar uma tensão crítica que contribua para discutir o papel do conhecimento próprio do discurso acadêmico ou de lutas sociais e de processos criativos decorrentes da sensibilidade poética e dos valores éticos;

. sabendo que não teremos todas as respostas e que conflitos podem sobrevir, reconhecermos o modo como nos transformamos nesse aprendizado, tanto quanto nos mantemos firmes nos valores éticos;

. estabelecer com nossos parceiros em nossos projetos processos solidários de mutualismo, visando acesso e produção de conhecimentos criativos e críticos, acesso ao ensino, produção de diagnósticos e de proposições socioambientais, promovendo capacitação mútua e ações transformadoras do ambiente;

. desenvolver métodos e programas de trabalho, de educação e memória, fundados no ideal do ensino e do conhecimento livre, independente e ativo, e a capacitação para formação de novos profissionais, pesquisadores e docentes em diferentes níveis de formação, ampliando o acesso ao conhecimento e suas estruturas integrado em programas de ação efetiva.

c) Propõe-se como objetivos na relação pesquisador-educador-comunidade-espaço urbano:

. pensar processos criativos e cognitivos na vida cotidiana e na memória da experiência vivenciada como fundamentais a uma ação transformadora do ambiente, entendendo-nos partícipes dos destinos comuns do espaço social e das paisagens;

. colaborar com os processos criativos e motivacionais, em diversas formas e percursos que almejem vias alternativas e autônomas de gestão coletiva, produção solidária, e convivência;

. contribuir, pela experimentação direta e coletiva de formas colaborativas de gestão e aprendizado, para a discussão de um ensino universitário e básico experimental e ancorado na capacidade de produção de conhecimento solidário e livre, sem prejuízo de outras formas e outros projetos pedagógicos;

. contribuir para a promoção de autonomia crítica na produção de conhecimentos acadêmicos e na compreensão histórica das visões de mundo, da produção das paisagens e das formas de convívio em diferentes épocas, inclusive a contemporaneidade;

. contribuir na interpretação do ambiente, na identificação de seus problemas e na capacidade de propor e construir soluções estratégicas e de monitoramento das condições básicas da qualidade de vida e das paisagens, incluindo conhecimentos ambientais, de saúde e educação em projetos integrados;

. reconhecer o direito fundamental das populações e pessoas envolvidas de serem informadas sobre a natureza e os procedimentos das atividades desenvolvidas e seus registros e no caso de integrarem os processos de construção manifestando seu desejo de fazê-lo ou não;

. reconhecer como um direito fundamental dos parceiros externos o acesso aos resultados finais dos trabalhos, e com o compromisso do pesquisador de esclarecer dialogicamente e discutir esses resultados com os colaboradores e outros sujeitos, em um processo aberto e participante de discussão.



Ainda dá tempo de fazer as mudanças que estão em nossa condição pessoal, no contexto negativo em desenvolvimento. Não sejamos o mal que condenamos, e para isso precisamos aprender juntos, uns com os outros.


       

 

 

como citar material desta página:


SANDEVILLE JR., Euler. Amadurecimento relacional e incompletude na construção colaborativa de conhecimento. São Paulo, on line, Biosphera21 + Núcleo de Estudos da Paisagem + Ensino e Pesquisa + Instituto da Paisagem, 2005-2021.


[para citar este artigo conforme normas acadêmicas, copie e cole a referência acima (atualize dia, mês, ano da visita ao sítio)]


espiral da sensibilidade e do conhecimento
uma proposta de euler sandeville

 












^ retornar ao início da página


espiral da sensibilidade e do conhecimento
uma proposta de Euler Sandeville Jr.






espiral da sensibilidade e do conhecimento
uma proposta de Euler Sandeville Jr.







contato ↑
licença ↑



Folha, detalhe. Foto de Euler Sandeville, 2009.