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Foto: Programa Formação para a Cidade: o Parque do Jaraguá e sua dinâmica natural. Núcleo de Estudos da Paisagem, Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (CIEJA/Perus), Programa Ambientes Verdes e Saudáveis/Supervisão, Técnica de Saúde de Perus (PAVS/STS Perus), EMEF Jardim da Conquista, a EMEF Jairo de Almeida. Foto do acervo do projeto.


"Que tempos são esses, quando falar sobre árvores é quase um crime? Pois significa silenciar sobre tanta injustiça" (Brecht)

“Eu gostaria de ser lembrado como alguém que amou o mundo, as pessoas,os bichos, as árvores, a terra, a água, a vida.” (Paulo Freire)






PROPOSTA PEDAGÓGICA
Euler Sandeville Jr.

"A transitividade crítica, [...], se caracteriza pela profundidade na interpretação dos problemas. Pela substituição de explicações mágicas por princípios causais. Por procurar testar os achados e se dispor sempre a revisões. Por despir-se ao máximo de preconceitos na análise dos problemas. Na sua apreensão, esforçar-se por evitar deformações. Por negar a transferência da responsabilidade. Pela recusa de posições quietistas. Pela aceitação da massificação como um fato, esforçando-se, porém, pela humanização do homem. Por segurança na argumentação. Pelo gosto do debate. Por maior dose de racionalidade. Pela apreensão e receptividade a tudo o que é novo. Por se inclinar sempre a arguições."
FREIRE, Paulo. Educação e atualidade brasileira. São Paulo: IPF/Cortez, 2001.

"O saber quando não humaniza deprava. Refina o crime e torna mais degradante a covardia." (Mikhail Bakunin)

"O que devemos fazer, de qualquer maneira, é verificar se não nos estamos prestando ao mal que condenamos" (Henry David Thoureau, 1849)

"Você acha que os fins justificam os meios, por mais abjetos que sejam. Eu lhe digo: O fim é o meio pelo qual você o atinge. O passo de hoje é a vida de amanhã. Fins grandiosos não podem ser alcançados por meios torpes. Isso você provou em todos os seus levantes sociais. A mesquinhez e a desumanidade dos meios fazem com que você seja mesquinho e desumano, e tornam os fins inatingíveis".
Wilhelm Reich. Escuta, Zé Ninguém!

"Tudo o que  nos rodeia é objeto de observação. Os objetos que nos são mais familiares podem ser maravilhosos para nós; tudo depende da maneira de olhar. [Se é distraída, nos engana; se é penetrante e refletida, aproxima-nos da verdade]" (Denis Diderot, 1746). Nota: nas questões sociais, enquanto ciência e prática, se sinceros, buscamos a verdade, mas construimos conhecimentos em transformação.

“… Em primeiro lugar, nós estamos afirmando com esse título que ninguém aprende fora da história. Segundo: deixamos muito claro que ninguém aprende individualmente apenas. Quer dizer: nós somos sócio-históricos, ou seres histórico-sociais e culturais, e que, por isso mesmo, o nosso aprendizado se dá na prática geral de que fazemos parte, na prática social.” (Paulo Freire)

"Somente o sujeito da experiência está, portanto, aberto à sua própria transformação. O saber de experiência se dá na relação entre o conhecimento e a vida humana. [...] fazer uma experiência com algo significa que algo nos acontece, nos alcança; que se apodera de nós, que nos tomba e nos transforma. Quando falamos em “fazer” uma experiência, isso não significa precisamente que nós a façamos acontecer, “fazer” significa aqui: sofrer, padecer, tomar o que nos alcança receptivamente, aceitar, à medida que nos submetemos a algo. Fazer uma experiência quer dizer, portanto, deixar-nos abordar em nós próprios pelo que nos interpela, entrando e submetendo-nos a isso. Podemos ser assim transformados por tais experiências, de um dia para o outro ou no transcurso do tempo". Heidegger

"Vamos agora ao que nos ensina a própria palavra experiência. A palavra experiência vem do latim experiri, provar (experimentar). A experiência é em primeiro lugar um encontro ou uma relação com algo que se experimenta, que se prova. O radical é periri, que se encontra também em periculum, perigo. A raiz indo-européia é per, com a qual se relaciona antes de tudo a idéia de travessia, e secundariamente a idéia de prova. Em grego há numerosos derivados dessa raiz que marcam a travessia, o percorrido, a passagem: peirô, atravessar; pera, mais além; peraô, passar através, perainô, ir até o fim; peras, limite. Em nossas línguas há uma bela palavra que tem esse per grego de travessia: a palavra peiratês, pirata. O sujeito da experiência tem algo desse ser fascinante que se expõe atravessando um espaço indeterminado e perigo so, pondo-se nele à prova e buscando nele sua oportu nidade, sua ocasião. A palavra experiência tem o ex de exterior, de estrangeiro, de exílio, de estranho e também o ex de existência. A experiência é a passa gem da existência, a passagem de um ser que não tem essência ou razão ou fundamento, mas que simples mente “ex-iste” de uma forma sempre singular, finita, imanente, contingente. Em alemão, experiência é Erfahrung, que contém o fahren de viajar. E do antigo alto-alemão fara também deriva Gefahr, perigo, e gefährden, pôr em perigo. Tanto nas línguas germânicas como nas latinas, a palavra experiência contém inseparavelmente a dimensão de travessia e perigo".
Jorge Larrosa Bondía

"Uma espiral é um movimento harmônico e imprevisível, tridimensional, que pode se expandir em todas as direções, e por isso mesmo não isento de contradições. É uma forma vaga e variada, que inspirou aquela ideia que temos da espiral como um desenvolvimento numa equação matemática e numa proporção áurea. Sua forma, entretanto, não precisa ser de uma geometria perfeita, pois essa ideia de perfeição seria uma abstração. Imaginemos uma espiral que pudesse se desdobrar em vários pontos e planos, livre da linearidade bidimensional do papel que faz parecer natural tudo ser plano. Imaginemos também que tocasse outras espirais, e a cada ponto surgissem ondas animando os mundos, como se várias pedras fossem atiradas quase simultaneamente na superfície de um lago.
Assim, o desdobramento da espiral, entre uma função matemática e um desenho aleatório, entre o expandir-se ao infinito de suas possibilidades e o convergir a um centro – no limite a um infinito interno que tende a um ponto de geração, põe em contato diversas visões de mundo. Visões de mundo que se agrupam e se dissolvem, como as imagens breves em um espelho d’água convidando o olhar ao repouso e ao movimento, à percepção de um ponto gerador que transborda. Essas imagens são segredos, que nos convidam de um modo ora suave ora intenso, aos lugares que as geraram e aos lugares para onde transbordam."
Euler Sandeville Jr, Memorial Espiral, 2003

"Todo esforço de conhecimento sempre foi, para mim, um esforço de indagação do mundo, do ser no mundo entre outros, de crítica social e cultural, de suas heranças, de debate comportamental, de condição existencial. Não me proponho, como nunca me propus desde que comecei minha atividade de pesquisa e docência, a excluir os campos das sensibilidades ou o das razões no processo cognitivo de construir conhecimento, nem os riscos e desafios de pensar os acontecimentos. Trata-se de elaborar um exercício profundo e continuado, discernindo entre a informação e sua crítica, o confronto de saberes longamente formulados e as narrativas que vão se reconstruindo. Essa construção da história e do presente é uma inquieta gestação de nossa condição humana e espiritual (quando se reconhece uma), e sua indagação é também a problematização de para onde apontam os movimentos em curso, dos quais percebemos por vezes apenas as sombras em movimento".
Euler Sandeville Jr. A Natureza e o Tempo (o Mundo)








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espiral da sensibilidade e do conhecimento
uma proposta de Euler Sandeville Jr.